Rubra Memória

Rompe a romã seu ventre na estação  

como se o tempo abrisse a própria carne —  

sangra em silêncio, lenta, no quintal  

vida contida.  

Tudo que é cheio um dia se derrama:  

sonhos, segredos, lutos, esperanças.  

Cada rubi que escorre em sua polpa  

traz uma história.  

Guardo romãs na taça da memória,  

frutos que amei, perdi, depois plantei.  

Bebo o sumo que resta em cada ausência —  

farta lembrança.


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