Na penumbra onde a razão apodrece,
ele caminha — terno, preciso,
com olhos que cortam mais fundo
que o bisturi em sua mão de artífice.
Cada palavra: um prato.
Cada silêncio: um vinho tinto e espesso.
Ele serve a morte com tal elegância
que a culpa se curva, agradecendo.
As vísceras, expostas como arte.
O corpo, um templo profanado com estilo.
Na carne do outro, ele lê confissões
que nem a alma ousaria dizer em voz alta.
Te observa — não como homem,
mas como o lobo observa a floresta:
já sabendo onde você irá sangrar,
antes mesmo de você correr.
O amor, para ele, tem gosto de fígado.
A amizade, textura de pele fresca.
E a compaixão…
essa ele cozinha lentamente, até desaparecer.
Quando sorrir, fuja.
Quando calar, reze.
Porque no fim, ele não mata por fome —
mas por estética.

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