Acordei tropeçando no tempo,
antes que o dia pudesse nascer em mim.
Vieram pedras travestidas de palavras,
cada sílaba um corte,
cada frase, um fardo impossível de sustentar.
No almoço, não havia pão,
mas culpas que nunca foram minhas.
Apontaram-me como doença,
quando sou apenas ferida exposta,
implorando por cuidado,
por um gesto breve de presença.
E agora,
quando a semana prometia sorrisos,
só ecoa a dor.
No calendário, uma vela se prepara para arder,
mas em mim permanece a sombra do não-dito,
do amor que não chegou,
do abraço que faltou.
Ainda assim, guardo um segredo silencioso:
meu coração, mesmo em carne viva,
insiste em florescer.
E talvez seja isso
a maior das coragens:
renascer,
mesmo entre as cinzas
do que tentou me consumir.

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