Dizem que a floresta leva o que ama.
Eu não acreditei, até sentir tuas mãos
afundando em meu peito como quem planta algo.
Tuas palavras eram raízes, e eu, solo.
Aceitei teu toque como quem aceita a febre:
sabendo que cura e destrói da mesma forma.
Agora, quando respiro, ouço folhas.
Quando durmo, sonho com dentes sob a terra.
A floresta te imitou,
ou foste tu que a ensinaste a amar devorando?
Te vi dançando entre os troncos, nua de luz,
com o coração batendo fora do corpo,
pendurado por vinhas,
um farol de carne chamando meu nome.
Eu corri.
Mas o chão era tua voz.
E o vento, teu riso,
docemente cruel, como se o amor tivesse dentes.
Hoje acordo coberta de pétalas escuras,
meu sangue pulsa verde.
Teu nome cresce em minhas costelas,
em letras de seiva e espinho.
E às vezes penso:
se eu abrir o peito,
talvez encontre teu rosto ali dentro,
sorrindo,
enraizado no que restou de mim.

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