Chamaram-na tentação,
porque o fogo em seus olhos seduzia o medo.
Chamaram-na monstro,
porque o ódio aprendeu a rezar dentro de seu peito.
Mas ela sabia o próprio nome:
guerreira.
Aicha nasceu do pó e do sangue,
do grito das mães,
do silêncio dos mortos sem sepultura.
Sob a bandeira estrangeira,
aprendeu cedo que a fome também é uma arma
e que o aço não corta tanto quanto a humilhação.
Em sua pele dorme algo antigo,
um mito esquecido pelas dunas,
uma deusa ferida que desperta
quando o mundo insiste em quebrar seus ossos.
Ela sente,
um calor que cresce,
uma fúria que canta,
um chamado que pede vingança em voz alta.
Rachid é o nome que a ancora.
Em seus braços, a tempestade hesita.
Ele beija o lugar exato
onde a guerra ameaça transbordar,
e por um instante
Aicha lembra que também é feita de amor.
Mas não há paz sob correntes.
Quando o império aperta o punho,
a deusa se ergue.
Dentes de fogo,
mãos de justiça,
ela caminha entre ruínas
como promessa e condenação.
Que tremam os que queimaram sua terra.
Que ouçam os gritos que semearam.
Pois Aicha não luta apenas por si,
ela é a ira de um povo,
o mito que retorna,
a liberdade aprendendo a rugir.

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