Eu sou a filha errada
no lugar certo.
Com o mundo, sou cuidado.
Com vocês, sou falha.
Vocês me chamam de ingrata
como se eu nunca tivesse dado nada.
Mas eu dei silêncio,
dei maturidade antes da hora,
dei noites engolindo o choro
pra não dar trabalho.
Vocês dizem que eu desrespeito
quando eu só tento respirar.
Chamam de interesse
o meu cansaço de implorar
por um pouco de amor.
Cada palavra de vocês
entra em mim como faca
e fica.
Não sangra pra fora,
apodrece por dentro.
Eu olho pra vocês
esperando acolhimento
e recebo sentença.
Nunca abraço.
Nunca desculpa.
Nunca “você é suficiente”.
Eu nunca machuquei ninguém.
Mas vocês me machucam todos os dias
e nem percebem.
Ou percebem
e não se importam.
Eu só queria pais.
Não juízes.
Não carrascos emocionais.
Vocês dizem que amor é base,
mas comigo ele vem com condição:
seja menos,
cale mais,
não sinta.
Mesmo assim,
eu ainda amo vocês.
E isso é o que mais dói.
Porque amar quem te fere
é aprender a se abandonar

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