Crônicas
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Há histórias que não pertencem ao agora. Elas se arrastam desde tempos antigos, caminhando sob a pele da Terra, entre rochas vermelhas e desertos silenciosos. No coração das crenças do povo Navajo — e ecoando entre outras tribos do Sudoeste, como os Ute, Hopi e Pueblo — vive um nome que poucos ousam pronunciar: yee
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Ela surgiu numa terça-feira úmida, dessas em que o ar parece suado, prenhe de alguma febre invisível. Vestia um tecido que grudava no corpo como carne viva — um vermelho de miolo exposto, nada parecido com os vermelhos alegres dos comerciais. O nome que me deu foi Amora. E ela tinha gosto de fruta fermentada,
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Em tempos antigos, as borboletas eram vistas com receio, um reflexo daquilo que era desconhecido, ou mesmo do que se temia. Elas nasciam pequenas, quase invisíveis, e tinham o hábito de se esconder nas sombras até o momento de sua metamorfose. Quando emergiam, já haviam se transformado em algo novo, belo e imprevisível. Uma vez
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Clara e Lívia nunca souberam que as palavras que traziam à tona a verdade e o caos nas suas reportagens também seriam as que cavariam um abismo entre elas, uma linha tênue que separa o amor da dor. Ambas jornalistas, ambas mulheres, ambas devotas da busca pela verdade, mas com uma diferença irreparável: Clara, a
